A definição. ❤️

Dois amigos, conversando no ônibus, segunda feira a noite.

-“Mermão, não sei o que aconteceu, só sei que to nessa, só faço isso da vida”
-“Mas como foi? Do nada? Vocês se conhecem faz tempo?”
-“Nada, tem um mês eu acho, por aí, fomos naquela festa na Leopoldina, ela é amiga da namorada do Cadu, foi super por acaso”
-“E ela deve ser muito gente boa né? Pra você ficar assim que só fala dela, tendo encontrado só uma vez, a reza foi forte!”

-“Cara, ela não é “só” gente boa, é linda, carinhosa, interessante, consigo conversar com ela por horas sem acabar o assunto, sem querer deletar o nome dela do histórico do WhatsApp, o nome dela é lindo, o cabelo dela é lindo… É gata, gostosa e inteligente. Já era, casei…”

-“Calmai cara, eu conheço ela, é normalzinha, nem feia nem bonita, tá exagerando vai. Nome lindo? Nome dela é Jamile cara, no mínimo, exótico né, peraí.”

E numa segunda feira a noite, encontramos a definição de amor numa conversa de ônibus, e a comprovação de que ele é cego, surdo, mudo, cafona, e lindo.

Pororoca da felicidade.

– Amiga, casar, comprar uma bicicleta, trocar de emprego ou adotar um cachorro, me ajuda, o que eu faço?

– Nossa, você tem tudo isso de opção? Imagina se sua única alternativa fosse continuar namorando, andando de ônibus, no mesmo emprego de sempre e só com um hamster de estimação… Pior do que muita opção, só a falta dela.

Parei de prestar atenção e me perdi em outra linha de raciocínio, tenho essa mania chata.
Realmente, a gente faz tanta coisa sem querer, e por dever, que quando esse “acaso” acontece, capaz de passarmos direto sem nem reconhecer.

Querer e poder são coisas bem distintas, isso a gente aprende desde pequenininho.
Mas e querer e dever? Há quem diga que essas duas coisas não se cruzam, pois eu digo que quando se encontram, temos a pororoca (rip!) da felicidade.

Temos então, uma das milhares de definições do que é ser feliz, nesse raro encontro entre o rio e o mar, entre o querer e o dever.
Sem precisar escolher, sem sofrer pra decidir, dessa vez você leva os dois, pelo preço de um sorriso.

Entao, amiga, casa com ele e, se não der certo, vocês se ajeitam, juntos ou separados. Compra uma bicicleta, larga tudo e vai viajar o mundo. Na volta, vai trabalhar com aquilo que te faz bem e não vai te deixar dúvidas. Pra fechar com chave de ouro, adota aquele filhotinho porque ninguém é de ferro.
Faz a sua parte, que a felicidade chega, Ô se chega.

Marcella Vasconcellos. 🎈

Sobre encontros e amores.

Não sei o exato momento, não foi na entrevista nem na primeira semana, muito pelo contrário, minha vontade era de sair correndo.
Eu precisava falar que estava empregada e precisava não acreditar que, por isso, tinha entrado numa furada. 

Mas num determinado momento, me venderam um sonho. 

E só percebi quando comecei a não contar as horas pra chegar em casa, a querer participar de uma reunião que termina às 23h pra não perder nenhum detalhe. Quando esqueci de olhar o celular o dia inteiro, e tinha 10 chamadas perdidas da minha mãe, quando fiquei chateada de não ter participado de um treinamento porque já tinha outro trabalho pra fazer. Quando fiquei triste por não ter ido no aniversário do meu irmão, mas nem cogitar faltar a reunião.

Quando alguém pergunta: “e ai, tá gostando do trabalho?” 

E você começa a contar todos os casos, problemas e situações que aconteceram nos últimos dias. Quando percebe, está explicando como funciona um gateway pra alguém que não sabe pra quê aquilo existe. A pessoa nem queria saber, ela não entende nada do assunto, era só educação, já não está mais prestando atenção e você continua falando tanto que perde até o fôlego. 

Quem olha de fora e não conhece, pensa que é um bando de maluco fanático que só pensa em brincar de trabalhar, afinal, uma empresa onde a idade média gira em torno dos vinte e poucos anos não dá pra ser levada a sério, né?
Mas é de verdade, e é levada muito a sério, porque as pessoas compraram o sonho. Elas trabalham de chinelo e calça jeans e tem mesa de totó e Xbox na hora do almoço, mas são comprometidas. 

Há quem diga que sonho não coloca comida na mesa e ideologia é coisa de livro de história. E pra essas pessoas, passamos nossos dias provando que é possível fazer muito mais quando se é parte, conhecendo há três meses ou há uma semana, fazer parte é algo instantâneo, é algo que só quem está dentro reconhece. É escolher alguém pra agregar, e não só mais um colega de trabalho. É ouvir pelos corredores “nós somos uma família”, e abrir um sorriso.

Não sei em que momento eu decidi fazer parte, mas hoje tenho certeza de que não foi uma furada. Pelas pessoas que conheci, pelo trabalho que aprendo a todo instante, pelo sentimento de ter algo que não é meu, é nosso. 

Eu não tenho uma empresa, eu não tenho um problema, eu não tenho uma solução. Nós temos tudo isso e, juntos, fazemos parte de um objetivo muito maior, que está só começando.

Há quem diga que isso é maluquice, pois então, cada louco na sua loucura, porque desse jeito, somos mais felizes.
Marcella Vasconcellos. 

Crises. 

Sete da manhã, quarta feira chuvosa, ônibus, esqueci meu fone de ouvido.

Atrás de mim, duas meninas, vinte e poucos anos. Entraram no ônibus conversando e o assunto continuou, peguei o bonde andando mas tá valendo. – sabe quando nada dá certo? To numa crise financeira de dar pena, pior que hospital público brasileiro, a diferença é que não sei quem tá desviando toda minha verba. Além disso, ele resolve terminar comigo logo agora, terminar não, dar um tempo. Faça-me o favor, né? Eu aqui, na esquina pra virar titia, e ele inventou que não sabe se casa ou compra uma bicicleta, “tá em crise” o bonitão. E não acaba por aí, trabalho com “top 3” das crises, gata: tem a existencial também, amiga, não sei o que faço da minha vida. As vezes tenho vontade de largar tudo e viajar o mundo, sem lenço nem documento, outras sonho com uma puta carreira, onde não sei se vou ser presidente do Banco Central ou Eike-Batista-bem-sucedido, só sei que serei empresaria-rica-mae-esposa-poderosa e todas essas coisas que a gente vê em novela. Resumindo, to falida, sozinha e perdida…

A conversa não era comigo, mas comecei a responde-la dentro da minha cabeça: 

“Calma, respira. Vivemos em tempos de crise desde que o mundo é mundo. Crise amorosa, crise financeira, crise existencial e todas as outras crises que se pode imaginar. 

Diante disso, temos sempre duas opções: seguir o fluxo e se deixar levar como se a vida não fosse nossa, ou agir como pessoas únicas que realmente somos, assumir uma postura dinâmica e singular sem se desgastar com coisas desnecessárias, porque só assim teremos energia para investir no que realmente importa. Seja viajar o mundo ou conciliar trabalho e vida pessoal, tudo isso demanda energia.

Em momentos de crise, usemos nossa energia para resolver o problema e não para gerar ainda mais problemas que, obviamente, é o que menos precisamos nessas horas, né?

Sabe esse furacão que você tem aí dentro? Então, use a favor e não contra si mesmo. Vamos parar de reclamar sem agir, de brigar sem resolver, de rosnar sem morder. 

O mundo vai continuar mundo e cheio de promoção de passagens aéreas, o capitalismo vai continuar te dando chance de se tornar poderosa, o bonitão volta e, se não voltar, outros virão e, por fim, no quesito financeiro, o Excel já salvou muita gente desorganizada por aí.

A questão toda é essa, amiga, você vive uma crise muito menor do que a que você imagina, vamos lembrar de viver, não de sobreviver. ”

Não ouvi a resposta da amiga, nem a continuação da conversa, desci do ônibus, tomei um banho de chuva, corri pra atravessar a rua, levei um esporro da moto que passava e pronto, tá tudo dando certo. 

Marcella Vasconcellos. 🎈

O playboy e a alternativa. 

“Ela me tirou da zona de conforto, e agora não consigo parar de pensar nela. Que mulher bizarra de interessante!”

Ouvi isso esses dias e, assim como com o autor da fala, também virou ideia fixa. 

É inevitável, podemos gritar aos quatro cantos que não somos preconceituosos nem estabelecemos esteriótipos. É mentira. 

Não adianta, na maioria dos casos, quando percebemos, já foi. 

Você já tá chamando o nerd de nerd, a patricinha de paty, o playboy de playba e a piriguete de piri. 

Acontece assim mesmo, sem nem sentir. 

E ai você se depara com uma situação que te mostra que aquele sujeito, recheado de estereótipo da cabeça aos pés, se sentiu atraído por uma pessoa completamente diferente do “rótulo social” que ele ocupa. 

Porque ela era interessante. 

Porque ela sabia conversar. 

Porque ele ficou instigado. 

Ela não era linda, panicat, gostosona nem limitada intelectualmente. 

E mesmo estando numa festa-bebida-mulheres, ele gostou dela. 

Ela que tirou ele da zona de conforto, que não foi mais do mesmo, que não tinha um discurso padrão. 

Que tinha cabelo bagunçado, roupa alternativa e escrevia poesia. 

Aham. Ela escreve poesia, e aposto que te apareceu a imagem de um ser angelical, com um caderno rosa bebe e lindos cabelos longos. 

Ela tem atitude, escreve poesia com palavrões num caderno escrito “My Black Book”.

Ele não sabia a diferença entre poesia, poema e verso, e ela fez com que ele entrasse numa livraria na primeira oportunidade, mesmo sem saber.

Quando perguntei o desenrolar da história, ele disse que não sentiu abertura pra nada além de uma conversa. Eles só se conheceram.

O que não o impediu de passar os próximos dias com ela na cabeça, falando dela, querendo ela.

No dia seguinte, ele disse “ainda vou namorar essa mulher”.

E eu não duvido que namore, e sejam realmente felizes.

Porque, independente das pré definições, a gente gosta do que desperta esse frio na barriga, essa vontade de saber mais, essa admiração instantânea, esse sorriso bobo, essa vontade de querer ligar e não saber o que falar. 

Esse interesse inexplicável, ela despertou, só não sabe disso ainda.

Marcella Vasconcellos. 🎈

Dia dos namorados. 

Dois amigos no ônibus: – e aí cara, vai dar o que pra namorada? 

– então, um espelho…

– espelho?! Assim, do nada? Porque?! 

– pra ela se olhar todo dia no espelho, e perceber como tem sorte de me ter como namorado! 

– hahahaha babaca.

– mentira cara, ela pediu, eu obedeço.

Dia dos namorados e aquele romantismo que nunca sai de moda. 💕

The Walking Dead brasileiro. 

Passando por uma banca de jornal, li a seguinte manchete: “Brasil teve 225 mortes por faca em um ano”. 

Muito se falou depois da morte do médico na Lagoa. Muita asneira foi dita como: “isso é inadmissível na lagoa Rodrigo de Freitas”. 

Não, isso é inadmissível em qualquer lugar, a não ser que você esteja num episódio de The Walking Dead.

Ouvi um homem de meia idade, e alto nível de educação dando uma explicação lógica: “os animais, racionais ou não, não se alimentam e fazem suas necessidades no mesmo lugar, por uma questão de princípios ou só de higiene mesmo. Por isso, “a vítima da sociedade” não vai matar a facadas o vizinho dele, no lugar onde a mãe dele mora, ou a avó. Ele vai fazer as “necessidades” bem longe de onde dorme e come. Porque você não acha que ele mora na zona sul, né?”

Não sei onde ele mora, pode ser no Cantagalo ou na baixada, e ele é tão animal quanto você. 

Eu sei que somos vizinhos, vivemos sob as mesmas normas, e o que me assusta é o fato dele não ter nenhuma noção de causa e consequência, enquanto eu penso dez vezes antes de furar um sinal. 

A culpa não é da Dilma, nem do Aécio. A culpa não é do Eduardo Pães nem do Sérgio Cabral. A culpa não é de Pedro Álvares Cabral que, há 500 anos, trocou um espelho por um pau brasil. 

O Brasil ainda não deu errado, esse ainda não é um país de merda, como foi chamado por muitos ultimamente. Mas se continuar nesse ritmo, onde uma vida não vale tanto quanto deveria, onde o respeito por outro ser humano foi reduzido à pó. Onde o rol de bons exemplos está cada vez mais escasso. Onde pessoas gritam pela volta da ditadura e que a solução é colocar o exército nas ruas. Onde muitos se dizem a favor da pena de morte sem nem saber o que isso, de fato, significa. Onde na discussão pela redução da maioridade penal, alguns motivos, dos mais esdrúxulos, são citados. 

Onde você tem medo da polícia. Onde você não confia nos órgãos públicos. Onde a moral do governo deixa de existir dia após dia. Onde os cidadãos se sentem roubados e não representados. 

Ainda dá tempo, sempre é tempo. 

Mas se continuar assim, aí sim, que país de merda. 

Marcella Vasconcellos. 🎈

Segunda feira.

Por uma segunda feira mais leve e sorridente. Porque uma pitada de amor resolve tudo. E sempre há um lado bom nas coisas. 

Por pessoas que lutam por um mundo mais gentil, recheado de gente que elogia, gente que cuida, gente que faz bem. 
Lutam por uma semana cheia de gente que sonha acordado, e ri a toa. 
Lutam por uma vida dividida com gente que gosta daquilo que dá borboleta no estômago.
Por uma rotina feita de detalhes e acasos, daqueles que fazem toda diferença. Daqueles que fazem sorrir sem motivo.
Por um mundo onde felicidade seja contagiante, sorriso se pegue no ar e abraço-quentinho seja prescrição médica. 
Por um canto onde você faça somente aquilo que gosta, e não tenha medo de mudar, de assumir, de correr atrás. 
Aliás, onde a palavra “medo” seja excluída do dicionário, por falta de uso.
Por um mundo mais positivo.
E feliz. 

Obrigada, mães! ❤️

Vó, lembra quando eu era pequena e você fazia merenda pra hora do recreio? E colocava pão com carne assada, ovo cozinho e bananada, tudo isso pra 9h da manhã? 

E quando você juntava todos os netos, até os que moravam longe, e levava todo mundo (hoje sabemos o quão louco devia ser) pra colônia de férias em Nogueira? O lugar era simples, tinha bandejão e nós amávamos! Lembramos até hoje do quão divertido era acordar as seis da manhã (sozinhos!) pra ficar na fila do café da manhã, levar os pequenos pra andar a cavalo e participar de concursos de belezas.
Dindinha, lembra das vezes que viajávamos juntos? Hoje meu irmão me representa, mas era como se eu fosse uma segunda filha. 
Das milhares de vezes que passei o final de semana na sua casa vendo filmes da Disney (fita VHS!) com a Juju.
Da história da velinha ou da velhinha.
De quando íamos de mala e cuia passar o dia na sua casa, pro meu pai conseguir estudar em paz.
Do Dindinho que, mesmo negando o título, você quem me deu, e não podia ser melhor. 
Mãe, lembra da minha felicidade muda quando você me contou que eu teria (finalmente) um irmão? 
De todas as brigas, discussões e apelos por um quarto arrumado. 
Das roupas divididas. Do armário em conjunto. Das dietas sem glúten. 
Das idas a hospitais. Das dormidas em emergências. Das brigas com médicos. De correr o risco de pegar meningite e falar pro medico “não vou a lugar nenhum”.
Das trocas de e-mail. Da tradição que eu criei de te dar um presente sempre que ganhasse o primeiro salário no trabalho novo. Da nossa maneira peculiar de abraçar. Dos apelidos curiosos que nos chamamos. Das viagens juntas, e também das separadas. Das conversas por FaceTime. Das fotos seguidas da legenda “lembrei de você!”. 
De quando você me falou, pela primeira vez, que seria minha melhor amiga, pra sempre. 
Por todas essas lembranças e as infinitas que estão por vir, meu muito obrigada, às melhores mães que eu podia querer. 

Como você enxerga o copo?

“Promete que não usa mais bronzeador?”

“Mas porque? Não passo em você, só em mim!”
“Sim, mas daqui vinte anos quem vai ter que te levar nas sessões de quimioterapia sou eu!”
Pessoas que enxergam o copo meio vazio, devem ter achado uma baita declaração de horror. 
Pessoas que enxergam o copo meio cheio, perceberam que ele pretende estar com ela daqui vinte anos, e entenderam aquela declaração de amor singular. 
Já dizia o poeta “o modo como se fala, faz toda diferença”.
E eu peço licença pra complementar, porque o modo como se ouve  também. 
Viva aqueles que enxergam o copo meio cheio, o mundo tá “precisado” demais disso.