Muito obrigada aos meus necessários.

Em alguns momentos da vida o que não falta é tédio, e como já dizia minha avó: “cabeça vazia, oficina do diabo”.
Em outros, falta tempo até pra respirar, vira e mexe o corpo pede aquela respirada bem dada porque o estoque de oxigênio tá acabando.

E são nessas horas que algumas pessoas se fazem fundamentais.

Fundamentais pra te lembrar que você tem pai, mãe, irmão, amigos e, principalmente, vida social.
Pra mostrar que não é porque você mergulhou de cabeça num novo projeto, e está certíssimo, que o resto do mundo parou de existir. E você continua tendo tempo de mandar aquela mensagem no meio do expediente, só porque seu pensamento fugiu um pouquinho daquela rotina alucinante e resolveu mandar sinal de fumaça.

Fundamentais pra puxar sua orelha e falar que tem muito tempo que você não liga pra vovó nem fala com a Dindinha.

Fundamentais pra te lembrar que você gosta de escrever, correr e ir ao cinema, mas parou de fazer tudo isso sem nem perceber.
Que você está com saudades de sentar num bar-com-as-meninas que não vê há meses.
Ou que você precisa sair e dançar até amanhecer.

Pois é, tem gente que existe pra lembrar das nossas saudades.

Fundamentais pra lembrar de se alimentar direito e marcar o médico.
Fundamentais pra lembrar de ler sua lista de livros, conhecer aquela praia deserta e beber água.

Algumas pessoas são fundamentais pra mostrar que sua vida continua existindo, continua exigindo de você a mesma atenção e dedicação, pra que nada desande.

Fundamentais apenas pra que você continue sendo você.
Algumas pessoas são necessárias para nossa saúde física, mental e emocional.
Simplesmente necessárias.

Marcella Vasconcellos. 🎈

Gente.

Tem gente que encanta a gente fácil.
Tem gente que engana a gente sorrindo.
Tem gente que está sempre cuidado da gente, mas tem gente que não tá nem aí.
Tem gente falando mal da gente nesse minuto, mas também tem gente sonhando em ter a gente sempre por perto.
Tem gente esperando a gente a vida toda, mas também tem gente rezando pra gente sumir de uma vez por todas.
Tem gente que abraça, e gente que faz carinho.
Tem gente que ama, mas também tem gente carente.
Tem gente que olha pra frente, e tem gente que tem âncora nos pés.
Tem gente que sabe o que quer da vida, mas também tem gente que veio ao mundo a passeio.
Tem gente fria, com coração quente.
Tem gente feia com brilho nos olhos, e gente bonita com medo do espelho.
Tem gente armada até os dentes, e gente que chega com peito aberto.
Tem gente como a gente, e gente que não vale nem um passo à frente.
Tem gente de todos os tipos, todas as cores, tem gente de muito e gente de poucos amores, gente com muitos e gente com poucos valores.
Agora, basta que a gente escolha que tipo de gente a gente quer com a gente.

Marcella Vasconcellos. 🎈

O primeiro de 2015.

Essa semana, passeando pelo Instagram, me deparei com um Chapolin Sincero que dizia: “Sinto te informar, mas você ficou em 2014″.
Como de costume, gargalhei, sempre rio sozinha dessas bobeiras.

Gostaria de deixar em 2014 tudo aquilo que faz mal, atrasa e enrola.
Toda preguiça, inveja e olho gordo.
Vou deixar em 2014 a falta de abraço, carinho e pensamento positivo.
Foi um ótimo ano, e desejo que leve toda fome, infelicidade e pobreza com ele, 2014 vai ficar com os desejos frustrados, os amores não correspondidos e as dores incuráveis.
Um ano de tantas descobertas vai ficar com aquelas promessas não cumpridas, as etapas não vividas e as cicatrizes doloridas.
Quero deixar em 2014 o medo do desconhecido, o pavor de correr atrás da felicidade, a maldita zona de conforto.
Fiquem todos, por favor!

Pra 2015 quero levar as lembranças boas, as memórias inesquecíveis e amores eternos.
A disposição, força de vontade e determinação.
Em 2015 desejo que você corra atrás dos seus sonhos e daquilo que te faz feliz, por isso trago amor, flor e sorriso. E é claro, saúde, muita saúde!
Pra 2015 quero aquela alegria genuína, gargalhada de criança e declarações de amor espontâneas.
Desejo sabedoria e maturidade pra aproveitar cada momento. Comprometimento e grandes idéias também. Mas trago cuidado, com as palavras, atitudes e, principalmente, sentimentos.
Ousadia e cautela, combinação que vai fazer sucesso esse ano. Equilíbrio.
Trago pra 2015 todas as viagens ainda não realizadas, todas as vontades reprimidas, todos os sonhos que alguém um dia julgou impossíveis.

Vários desejos me foram feitos nessa virada de ano, mas o mais bonito deles foi: “te desejo um ano inteiro em branco, só pra você!”

2014 foi e levou tudo que precisava, agora tratemos de preencher 2015 com aquilo que há de melhor: nós mesmos.

Marcella Vasconcellos. 🎈

Vontades (normais) reprimidas.

Último sábado do ano, trânsito parado na Rio-Santos, a conversa começa:

Gustavo : ai, sabe o que eu e os meninos achamos na floresta atrás de casa? Uma casa abandonada e um poço, igual ao da Samara!

Eu: Samara? Quem é Samara?

G: do filme Marcella! É o poço da Samara porque a mãe dela empurrou ela lá dentro! Nunca viu?

Eu: nossa senhora, que filme ótimo.

G: ai, sabe o que eu tinha muita vontade de fazer?

Eu: lá vem…

G: fazer coco no meio do play e deixar lá, ai no dia seguinte voltar pra ver se tem alguém olhando meu coco, imagina, ia ser iraaaaado!

Eu: sério isso Gustavo? (Incrédula)

Alguns minutos depois, em silêncio após a revelação fatídica da vontade reprimida, a conclusão:

“Marcella, dá pra ver o DNA pelo coco? Não né?”

Duende verde nunca decepcionando.

Marcella Vasconcellos. 🎈

Lembra?

Memória é igual estilo. Uns tem, outros não. Já dizia a propaganda.

Outro dia conversei com meu pai sobre pessoas que, durante o sono, colocam a mão dentro da calça.
Pois é, temos conversas estranhas.
Eu disse que reparei que muita gente fazia isso, porque a maioria dos mendigos que eu via dormindo na rua, estava com a mão dentro da calça.
Tudo bem, agora a estranha sou eu.
Mas o negócio é: toda vez que vejo um sujeito dormindo na calçada, reparo na mão, e lembro do meu pai nessa conversa sem nexo.

Minha tia foi pra Tailândia e trouxe um incenso de citronela, quando senti o cheiro só conseguia lembrar da casa de praia da minha Dindinha que exalava o mesmo cheiro delicioso.

No final de um dia desses de calor infernal, choveu. E o cheiro de terra molhada da floresta atrás da minha casa, me transportou pra casa de Mangaratiba da minha avó e das inúmeras férias que passei por lá.

Outro dia alguém me perguntou de onde era o brinco que eu usava, respondi sem titubear que ganhei da minha tia que trouxe do Vietnã no meu aniversário de 1995.

Em contrapartida, meu pai é um exemplo do outro lado da moeda. Hoje no café da manhã minha mãe falava que alguém cortou o bolo todo errado, por isso ele não cabia no pote.
Quando falei “só podia ter sido meu pai!” Ele me olhou com a maior cara de espanto do mundo, como se eu tivesse acabado de cometer uma grande injustiça, e falou: “claro que não, eu nem estava em casa!”.
Ele estava, ele fez o café pra comer com bolo, ele partiu tudo errado.
Eu, minha mãe e meu irmão nos olhamos, foi o suficiente.

Tem também quando ele fala alguma coisa, depois muda de ideia e jura de pés juntos, chega a brigar com quem quer que seja que NUNCA falou aquilo, nós é que estamos loucas!
Eu, minha mãe e meu irmão nos olhamos, é o suficiente.

Uma situação muito boa é quando um conhecido aborda ele na rua, chama pelo nome (que não é dos mais comuns), conversa, pergunta da família, do trabalho, se despede falando que tava com saudades, e quando pergunto quem era, ele responde: “não faço a menor ideia, deve ter me confundido com alguém!”
Claro.

Pra finalizar, porque a lista é muito grande. Há pouco tempo ele estava no telefone falando com algum conhecido distante, eis que eu ouço: “É, Marcella tá grande, tá com 22 anos já!”.

Ele mora comigo, ele me viu nascer e estava presente em todos os meus aniversários, contabilizando 26 primaveras.

Sendo assim, me despeço com a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, não serei mais Marcella pra ele. E sem poder culpar a medicina por alguma cura que eles não descobriram.

Marcella Vasconcellos. 🎈

Amorholic.

Parada na plataforma do metrô, Rio de Janeiro, muito calor, segunda feira.

Do meu lado estacionou um carrinho de bebê, empurrado por um vovô muito fofinho, acompanhado da mãe da criança.
Depois de fazer o bebê gargalhar, a mãe falou:

“É filho, faz tempo que a mamãe não assiste novela nem jornal, só dá galinha pintadinha e Pepa lá em casa.”

E o vovô-fofo complementa:

“É verdade, acho aquela Pepa um barato!”

“Mas tudo bem, filho, por você, tudo vale a pena!”

Quando ela falou isso, olhei pra eles e sorri involuntariamente. Espero que esse bebê um dia compreenda o sentido dessas palavras.

Reparei na blusa que o vovô usava, estava escrito “Eu sou amorholic”!

Ah, meu senhor, disso eu não tenho dúvida! Só gostaria de saber como faço pra entrar no seu clube?

Marcella Vasconcellos. 🎈

Duende-verde-neon.

Irmão mais novo é quase como um duende. E quando a diferença é de onze anos, aí é um duende-verde-neon.
Eu tenho um, temporão, susto, acidente, erro de percurso.
Irmão mais novo é especial, todo mundo sabe disso.

Especialmente chato, implicante e super favorecido. Especialmente mimado, mas segue o fluxo, quase nada é só pra ele, na maioria das vezes é consequência ou herança. Especialmente esperto, porque se souber aproveitar, sempre se dá bem.

Irmão mais novo não tem ciúme porque já nasceu sabendo dividir, e aprendeu rápido a ter alguém pra ajudar, muito diferente (e melhor) de pai e mãe. Tem sempre um mais velho de exemplo, o que pode gerar uma relação de amor ou ódio.

Por dez anos eu pedi, todo aniversário, Natal, dia das crianças, além de um cachorro (que peço até hoje), um irmão caçula. Ao contrário da maioria das crianças, eu não queria meus pais só pra mim. Confesso que depois que ele se materializou, aquela ideia de que eu teria uma boneca humana particular foi pelo ralo.

Mesmo assim, aquele era o mini ser humano pelo qual eu esperei anos, e quando soube da notícia, fiquei sem palavras, só conseguindo abraçar o umbigo da minha mãe que, daquele momento em diante, se resumiu a uma barriga.

O mais engraçado é que o tempo passa voando, eles crescem, nós também, mas aceitar isso é difícil. Não a nossa velhice, a deles.

Meu irmão pedia pra dormir no meu quarto mesmo sem motivo aparente, esperávamos nossos pais viajarem pra dormirmos juntos no quarto deles e ficarmos até tarde vendo TV, o que era estritamente proibido. Quando eles iam ao cinema, ele vinha correndo na minha porta gritar “festaaaa!” mesmo que isso significasse pipoca e colchão na sala.

Me chamava de “Rimã” e a primeira vez dele no teatro, foi comigo. Já fiquei com ele no colo, esperando o sono chegar enquanto ninguém mais conseguia, e ele dormiu. Levei pra passear de carrinho na pracinha, dei água de coco na mamadeira, fui na formatura da creche, tenho mil fotos dele bebê.

Hoje ele pede opinião de roupa pra festa e detesta todas as minhas sugestões, pede dica de presente pra namorada, peraí, hoje ele TEM namorada(s).
Hoje ele acha que é o dono da razão, pede ajuda pra estudar história e tenho que ouvir ele xingando a professora que deu a “matéria toda errada”. E eu me preocupo com nota de prova, recuperação, aula particular e o porque dele não ter chegado até essa hora em casa?

Hoje ele não acha mais tão legal ficar sozinho comigo em casa, porque o vídeo game é muito mais interessante que a “festaaa!”. Ele reclama de sair com a gente, diz que é um saco almoço em família.

Todo mundo diz que é fase, que passa, vai melhorar.
Eu queria mesmo é que voltasse, no tempo que ele era o bebê da casa, dormia na sala pra não acordar todo mundo e mesmo assim vivia sorrindo e distribuindo beijos pra quem passasse na rua.

Mas já que não é possível, aguentemos essa maldita adolescência masculina, abstraindo toda chatice, porque se fosse pra voltar lá atrás, e implorar por mais dez anos, não pediria contratempo diferente.
Depois desse susto, nossa família nunca mais foi a mesma, hoje ela é muito melhor.

Marcella Vasconcellos. 🎈

Mãe? É você?

“Tudo que é bom dura pouco”, o ditado mudou, a versão moderna é: tudo que é bom, contém glúten.

Pois é, nessa era de glúten incha, lactose engorda e açúcar piora celulite, não só a alimentação sofreu grandes mudanças, mas também as citações mais clássicas. E porque não, minha mãe?
Exato, dona Claudia, como muitos sabem, é linda, magra e cheia de charme.
Mas os aniversários vão chegando com frequência maior que o psicológico aguenta e, com eles, a maldita menopausa.

E ai, meus amigos, são calores repentinos, mudanças bruscas de humor, reclamações acerca da pele, do cabelo e, claro, da balança.

A senhora minha mãe sempre foi magra de ruim, daquele tipo que faz cinco refeições por dia e belisca bastante nas horas vagas, come de tudo, porém magra. Sempre detestou academia e qualquer movimento que a obrigasse a colocar um tênis e sair de casa pra suar, e por isso, nunca fez nada, porém magra.
Acontece, Deus não dá asas à cobra.

Voltando ao ponto, depois de ultrapassada a faixa dos cinquenta, ela encrencou com o tamanho da circunferência que, na minha opinião, pode ser comparada à de um miquinho filhote, mas mulher quando quer, nem o Papa muda a ideia fixa.

Sendo assim, a moda do momento (e lá em casa) é a dieta do glúten, ou como já ouvi por aí, do glúteo.
É pão sem glúten, bolo sem glúten, farinha de arroz, polvilho, pão de queijo pode (vitória!), arroz também, tudo na base do inhame e do aipim, sem falar na overdose de tapioca, uma loucura.
A parte ruim? Ela tá adorando.
Aham, minha mãe-magra-de-ruim esfrega na cara dos meros mortais (eu) que, além de tudo, gosta dessa dieta moderna e não sente nenhuma falta de enfiar o pé na jaca.
Morar na mesma casa que ela é ter minha consciência gritando a cada pãozinho francês quentinho que penso em comer.
Vida que segue.

Outro dia, mandei um whatsapp pra ela falando de uma entrevista de emprego, eis a resposta: DAIMOCO DAIMOCO DAIMOCO.

Exatamente assim, três vezes, maiúscula, sem sentido.
Como não é tão anormal receber dela mensagens codificadas/criptografadas, ignorei e pensei: deve ter tentado escrever “boa sorte, duduca!”, super tranquilo, não estranharia nada.

No dia seguinte, durante o almoço, ela recitou a mesma sequência: DAIMOCO DAIMOCO DAIMOCO.

Ai eu fiquei preocupada, será que deu pane? Depois de uma certa idade já pode ser considerada na faixa de risco? Acendeu a luz de alerta.
Perguntei, com medo da resposta, que diabos era aquilo?

“É uma citação budista filha! Pra atrair coisas positivas. Basicamente, se você pensa de maneira positiva, coisas positivas acontecerão com você!”

Nenhum problema, não fosse o fato da minha mãe ser católica do tipo que vai a igreja toda semana, faz promessa pra santa quando a filha fica doente e comparece todo ano na festa de aniversário da padroeira de Mangaratiba.

Já chega, Menopausa, a dieta do glúten eu aceitei, agora você já está passando dos limites.
Faz favor de devolver minha mãe?

Marcella Vasconcellos. 🎈

Dois pesos, duas medidas.

Tem gente que enche a boca pra falar que “homem nenhum presta!”, pois eu discordo, mesmo sendo mulher e solteira.
O negócio é: homem presta tanto quanto mulher. Só é preciso querer prestar.
Ou vai dizer que a mulherada vale ouro durante toda sua existência? Faz favor, né.

Toda mulher no mundo tem aquela fase casada que só faz programa onde o número de integrantes é par, aquela em que a companhia mais interessante do mundo é o edredom de solteiro numa cama de casal e aquela em que não consegue nem contabilizar quantos nomes (ou números) diferentes usou numa mesma noite.
Se engana quem acha que mulher tenta enxergar em todo e qualquer homem, o príncipe-encantado-amor-da-vida-vamos-casar-amanhã.
Pode ser que hoje ela não consiga nem pensar em encontrar um cara duas vezes seguidas, e daqui dois meses, tudo que ela procure é alguém com intimidade suficiente pra não precisar conversar num sábado a noite. Acontece ué, e é normal.
E com o homem é igualzinho. Quando quer, ele sabe ser atencioso, fofo, simpático, conquista não só você como sua mãe, avó, tia e cachorro.

Leva flores, liga quando chega em casa, manda mensagem de boa noite e de bom dia, insiste pra te ver o final de semana inteiro, lembra do livro que você queria e aparece com ele de surpresa no meio da semana, sente quando a TPM manda as primeiras ameaças e já chega de mansinho com uma caixa de chocolate sem glúten, pra não dar margem pra reclamações. Te deixa roubar a batata frita mesmo você dizendo que não queria e sai no meio do filme pra comprar pipoca se você pedir com jeitinho.
Se preocupa com a sua gripe, se disponibiliza pros maiores programas de índio porque você quer muito, estuda seu facebook, sente ciúmes mesmo sem poder e ter motivo. Sai da festa cedo só pra te encontrar, desmarca com quem for e não perde uma oportunidade de estar presente.

Se empenha em dar certo, se declara mesmo contrariando os conselhos do resto da humanidade, diz que sente saudades quando acabou de te deixar em casa.

Quando homem quer, ele faz acontecer. Assim como nós, mulheres.

O segredo é conciliar essas vontades.
Porque quando ele quer e ela não, é nojinho-irreversível garantido.
Quando ela quer e ele não, “esse não vale nada”!

Calma galerinha, ele não é um babaca-incorrigível-traumatizado-que não-sabe-valorizar-uma-mulher.
Ele só não quer, só isso.

Marcella Vasconcellos. 🎈

Meu Bem e Minha Filha.

Casa de vó é algo único no mundo, né?

Dia desses, sem computador, internet e impressora, pedi socorro pra minha e fui até la, usar e abusar.
Sim, minha avó tem computador, impressora, facebook, está se formando no curso de Pacote Office e pesquisa receitas na internet, frequentadora assídua do site da Ana Maria Braga.

Chegando lá, final do dia, estavam os dois assistindo jornal, um calor danado, o computador já estava ligado, pronto pra eu usar, meu avô acendeu as luzes, ligou ventilador, abriu janela, trouxe papel pra impressora, avisou que tinha trocado as tintas naquele dia e perguntou se eu precisava de mais alguma coisa.

Enquanto isso, minha avó gritava da cozinha me oferecendo “abacaxi docinho”, depois “laranja picadinha” e por último, se eu queria jantar “um ovo mexido rapidinho com o que sobrou do almoço”.

Durante as poucas horas que tomei uma surra da tecnologia, eles continuavam entretidos com o jornal.

De vez em quando minha avó aparecia e me mostrava o presente que ela ia ganhar de natal, ou comentava que tinha ficado super feliz de ter me tirado no primeiro sorteio do amigo oculto da família, pena que tivemos que sortear de novo.
Depois meu avô apareceu, veio pedir ajuda pra fazer check in online pra viagem desse final de semana, mas achava que ainda era muito cedo e não conseguiria.

Quando estava quase terminando, ouço vindo lá da sala:

“Sabe o que eu queria comer agora, meu bem?”
“O que, minha filha?”
“Quibe, to com vontade de comer quibe há dias!”
“Mas não tem quibe, minha filha, come essa laranja e depois você encomenda quibe que eu vou lá buscar pra você matar a vontade”.

Sempre nas pequenas coisas, sempre cuidando um do outro.
Quero simples assim, bonito desse jeito: Meu Bem e Minha Filha, seu Carlos e dona Isa, no quibe, na laranja, nas viagens, na vida.

Marcella Vasconcellos. 🎈